Ipirá

em 17/03/10

Para Ipirá fui de ônibus. Catarina ficou se arrumando, com Chico o capoteiro, vestindo roupa nova, alinhada, couro branco feita à mão. Em Ipirá fui recebida por Ednólia e Rosa, mulheres de garra. Com Normelita, a diretora de cultura,  o nosso encontro guardou uma grata surpresa. Ela esta organizando o material sobre a história do cinema em Ipirá e meu pai faz parte desta história, operava o projetor de cinema da cidade. Izaías o representante de cultura da Bacia do Jacuípe, também estava lá, como sempre abrindo portas, fazendo pontes. Foi com Caruaru o primeiro encontro, chapeuzinho de vaqueiro, todo arrumadinho, pronto pra falar.  Caruaru é conhecido por este gosto, o gosto de narrar sua vida, inverter a todo instante os tempos e espaços. Porque acredita, a cada instante, decifrar signos. Ele diz ser detetive da FBI, aposentado. Maria, sua mulher, confirma e assegura o salário. Caruaru andou um tempo com um radinho falando em língua estrangeira com George Bush, resolvendo questões internacionais. Foi em Santa Catarina que Caruaru encontro Maria Bonita, sua prima, já cansada do cangaço numa igreja evangélica em Florianópolis.  Eita que festa! Suspirou Caruaru. Conversei também com Puluca, poeta febril. Os poetas e os loucos se assemelham, reencontram o parentesco subterrâneo das coisas, suas similitudes dispersas. Conheci também Guel, Miguel Puluca, o pequeno príncipe de Puluca. Que criança linda! Encantei-me com a silueta de Miguel andando ao cair da noite, na casa de Dona Deja. Ah! Dona Deja. Foi uma pena ter chegado tão tarde e de surpresa na casa dela, correu tudo da memória, tanta história pra contar, mas não chegou. Dona Deja deixou então uma ciranda, linda de ouvir. Ela canta, canta muito. Conheci, também, Itamar. Itamar é fabuloso é o próprio sertão. Queria tê-lo conhecido antes sentar a margem da sua fala e contemplar a natureza radiante das suas narrativas. Itamar é professor, ator e artista na vida.  Quis conhecer os loucos cativos de Itamar, são muitos, os ipirados! Cada um traz uma experiência nua da ordem, uma ordem bruta que abala as superfícies ordenadas de uma cultura. Quarta-feira é dia de feira em Iipirá, descemos pra feira. Nos divertimos muito Itamar, Izaias, Ednólia e Ray, mas os loucos não encontramos. Fica o desejo do encontro e a vontade insana de criar algo.

Caruaru

Dona Maria

Dona Deja

Itamar

Puluca


Fotos: Gina
puluca pires | março 09, 2015 às 14h49
virgínia, poesia natureza que passou por nossas vidas no camisão. gratidão sempre e saudades.
antonio carlos pires santos | março 09, 2015 às 14h44
virginia, poesia natureza que passou por nossas vidas no camisão. gratidão sempre. puluca pires e família
Itamar | junho 09, 2010 às 09h56
Oi Virginia!!!!Saudade imensa de ti...Teu Blog tá massa.Um beijão e muito obrigado pela sua passagem estrondosa e radiante na minha vida.
Izaias Junior | abril 28, 2010 às 19h00
Olá Virgínia!!!! Saudades linda.... Acredito que o trabalho realizado por você na Bacia do Jacuípe, foi muito satisfatório para todos os envolvidos. Espero que tenhamos atendido suas espectativas e contribuído de verdade para realização do teu Projeto... Ah! mantenha contato............... Saudações Culturais SEMPRE, Izaias Junior dos Reis Silva
Rhey | abril 28, 2010 às 18h35
Amada, fiquei encantado com o teu blog. Achei maravilhoso!!!!! Muita sorte e sucesso para ti sempre. Obs: só o Ray que era Rhey que não foi.... mas, tudo bem. BJos.
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