Retratos

em 04/04/10

Jon é caçador desde menino, fascinado por pontaria. Andava de badogue e capanga, tudo feito por ele. As pedrinhas fabricava uma a uma, numa olaria que ficava depois do brejo, nos arredores da chácara. Um dia descumpri as ordens de painho e fui até lá com ele, passei por baixo da cerca, perdi o sítio de vista e senti um friozinho bom na barriga misturado com lembrança ardida de surra. Neste dia, Jon também infringiu lei de casa, não a de ganhar o mundo, ele era menino podia, mas a de comer comida de bicho. A gente gostava de se misturar aos animais. Comia o sal do boi, o xerém das galinhas, até capim. Mas era tudo só brincadeira de desafio. Na olaria, comemos batata-doce dos porcos, bem cozidinhas no fogão de lenha, cheirando a fumaça. Gostosa de verdade, não de brincadeira. Dia de ventura feito do encantamento da lama preta virar telha, vaso e bolinhas. As bolinha Jon modelou, redondinhas, redondinhas eram pra mais de 100, munição pro badogue. Arrumadinhas uma junto da outra, numa simetria que dava arrepio, da menor pra maior, parecia um exército de soldadinhos prontos pro combate, um bordado de contas, uma mágica. Neste dia, Jon também era mágica. Mostrou pra mim como estava afiado no badogue. Treinou pontaria - atirei pro alto galho de cajueiro, castanha, pedra - tudo em movimento, o menino acertava em cheio, no ar. Crescemos juntos apurando a vista, o paladar, o medo e a desobediência... Agora, juntos em "Fala dos confins", Jon fotografa a viagem. O olho mesmo fora do visor sabia o que a máquina enquadrava, intimidade de caçador. Explica concentrado: "A máquina fotográfica é uma arma, o fotógrafo um caçador". Ele sabe o que quer capturar, atento mira o alvo, segue o movimento, aperta o obturador. Acerta em cheio. Caçando pedaços de tempo, de sensações, de sonhos que capturados exaltam um estado sublime da coisas simples da vida, Jon foi fundo nos confins.


Fotos: Jon

Alane Medeiros | agosto 24, 2010 às 11h27
Gininha, Quanto orgulho!! Este final de semana, recebi a visita de meu avô e tia Válbea com a serenidade e o desejo em conhecer de sempre, eles curtiram cada momento brincaram com os bisnetos e nos encheram de alegria, me falaram de seu blog não esperava sentir tanta alegria ao ver cada link, um misto de nostalgia e admiração pelo seu trabalho pela sua sensibilidade artística, pela participação de Jon, os relatos sobre meu avó muitos motivos de orgulho em especial para você com sua visão privilegiada encontrando valor aonde poucos tem sensibilidade para ver. Dona de uma beleza única, e encanto natural, seu carima é unanimidade; carinhosa, doce, a artista que me tanto me emociona ao ver este trabalho não tem diferença da Gininha uma tia prima de sorriso farto espírito livre que jamais se prendeu a qualquer rótulo mas com toda doçura, sempre conviveu e entendeu as particularidades de cada um. Beijo grande, e obrigada por este presente. Sua sobrinha Alane Medeiros.
daniel de andrade simões | abril 22, 2010 às 15h24
Êta sô! Cabra bom esse caçador de si mesmo Chupou muito caju esse fazedor de soldadinhos de barro em formato de bola de gude Acabou a caça ao passarinho Grudou na máquina de fazer retrato Parabéns pelo blog muito interessante, inteligente amigo e solidário. Visite a gente: www.saitica.blogspot.com daniel de andrade simões
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