Por que "Fala dos Confins"

No contexto em que vivemos a ânsia pelo acúmulo de informação nos afasta cada vez mais da tradição oral. É indiscutível a predominância da comunicação escrita, a palavra escrita é sinônimo de poder na sociedade contemporânea. Walter Benjamim, na década de 30, já assinalava a morte da oralidade e, ia mais além, a morte do narrador. O filósofo argumentava que as disputas pelo poder e a grande capacidade destrutiva da guerra ante o frágil corpo humano fizeram com que as pessoas perdessem o poder de conversar e, com isso, esvaziassem a "experiência que anda de boca em boca".

Ele afirmava:

O narrador - por mais familiar que este nome nos soe - de modo algum conserva viva, dentro de nós, a plenitude de sua eficácia. Para nós, ele já é algo distante e que ainda continua a se distanciar. [...] Esta distância e este ângulo nos são prescritos por uma experiência que quase todo dia temos a ocasião de fazer. Ela nos diz que a arte de narrar caminha para o fim. Torna-se cada vez mais raro o encontro de pessoas que sabem narrar alguma coisa direito. É cada vez mais frequente espalhar-se em volta o embaraço quando se anuncia o desejo de ouvir uma história. É como se uma faculdade, que nos parecia inalienável, a mais garantida entre as coisas seguras, nos fosse retirada. Ou seja: a de trocar experiências.Notava ainda, que o desejo de reter as coisas narradas era o que aproximava o ouvinte ao narrador. Este exercício lúdico que solicita a escuta paciente e evoca memória, duas faculdades que sobrevivem a margem de uma sociedade centrada na transmissão escrita do conhecimento, envolve o (re)conhecimento do sujeito e dos seus afetos.

Sob está égide trazer o resgate da tradição oral, nos dias atuais, consiste em missão que perpassa o debate literário e se enfrenta com a crise da sociedade contemporânea. Seguir de perto a riqueza e a extensão da fala sertaneja num laboratório vivo - gravar, selecionar, reunir materiais e finalmente editar, articulando-os com o campo das artes visuais é uma possibilida- de de trazer o diálogo fecundo que o estatuto da voz sertaneja desenha na nossa cultura tão fortemente oralizada. A arte funciona aqui como uma ferramenta de encontro sensível com o sertanejo, um laboratório poético-político que convoca o exercício do sensível e produz uma sensação - uma voz que devidamente registrada e decantada trará a expressão da linguagem manifesta e fabulosa do homem comum, o som do Sertão - vozes que nos transportam e nos fazem imaginar uma outra realidade.
 

daniel de andrade simões | agosto 20, 2011 às 19h26
Acho que fiquei lelé, quem sabe nasci maluco e não sei... Desculpem, é que gosto tanto da música desse blog que não me canso de ouvi-la, Sinto prazer e aperto no meu coração ! Meu cérebro entra numa imensa paz que parece um sonho. Será que morri ? Parabéns pelo maravilhoso e valioso trabalho. www.saitica.blogspot.com daniel
Camila | junho 07, 2010 às 18h39
Virginiia....eu tee amoo muitoo..vs foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida...você é uma pessoa muito especial para mim...quero sempre guardar vs na memória e no coração... Magnifico seu trabalho...que papai do seu ilumine sua vida...Parabéns... Camila,Gabriel,e Marcos
Vladimir | maio 10, 2010 às 12h59
Oi Vi Que bom receber sua resposta. Belas imagens... Catarina tá linda. Gostaria de apreciar ao vivo. Lendo o argumento do seu projeto, lembrei de uma autora que trata com delicadeza dos temas memória e oralidade. A narrativa é poética. É a Éclea Bosi (é possivel que você conheça). Ela tem duas obras que aprecio muito, intituladas "O Tempo Vivo da Memória" e "Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos". Fica como sugestão. Parabéns. Você me inspira. bJ, Vladimir.
Lorena Medeiros | maio 02, 2010 às 16h13
Oi Gininha...Projeto maravilhoso...quanta cultura espalhada por "Confins" que nem imaginamos e pior...nem valorizamos. Que continue nos explorando e mostrando o que temos de bom por aqui...rs Parabéns!!!...Saudades
Tâmara Passos. | abril 10, 2010 às 16h22
Simplesmente encantador.... a música nos faz reviver o nosso sertão... Parabéns!!!!!!!!!
José Rodrigues | março 21, 2010 às 10h30
O QUE É FALA DOS CONFINS! São mais que meras palavras São relíquias imortalizadas São enígmas da natureza De um povo que conta história Que canta, versa, E traz na memõria A oralidade sertaneja. Nos confins desse bravo sertão Eis que surge uma artista De alma pura, vai buscando as pistas No Resgate da nossa cultura Levando avante a linguagem pura De um povo simples, enfin Pela esperança Pela crença Pela fé Mandendo sua profissão de pé Em fala dos confins!!!!!
Virginia de Medeiros 02.abr 11:58 - Chegando em São Paulo me lembrei que sou sertaneja, voltei-me para meus confins. Virada brusca de quem chegou na grande cidade como balão, mas não quis voar. Voltei pra terra, catucar a mãe e dela tira gemido soterrado "fala dos confins". Ouvir de perto o que tempo separa e a arte aproxima. Um resgate do que nos pertence. Não sei se pela crença, esperança ou fé, mas voracidade de quem precisa renascer.
marta luna | março 09, 2010 às 23h16
não consigo sair desse "Confins"...que passarinhos são esses que me encantam com essa música doce e me trazem lembranças do sertão? ... além da beleza desse projeto. Parabéns
Virginia de Medeiros 10.mar 08:14 - Marta este passarinho é o mestre Elomar, que nos transporta para os Confins do Sertão.
anderson santos | março 08, 2010 às 14h56
bravo!!! muito bom... abraços
Virginia de Medeiros 10.mar 08:15 - Abraços, major!!
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