Catarina

em 02/03/10

Catarina é uma espécie de estrela nesta história que se inicia. Deposito nela a magia que fascina os olhos e abraça o imaginário - nos libertando da ordem do tempo e do espaço. - "Catarina! Olha Catarina!" Todo o posto dirigiu a vista a Kombi, tamanho entusiasmo do frentistas que, sem pressa,  me perguntou com voz de veludo, como quem acabou de alisar um pedacinho bom da vida que ficado pra trás era esquecimento.  - "É pra encher o tanque, senhora?" Fiz um gesto que sim e em cima do macio da sua voz perguntei: "Você tinha uma Kombi que se chamava Catarina, era?" O frentista com olhos distantes e receio de perder o fio de tal evocação já perdido, respondeu-me firme com impulso de volta de quem foi em alguma fundura.  - "A senhora não sabia que antes da Kombi existir, existia  Catarina. Depois que veio a Kombi. Pode conferir no documento do veículo, senhora."  Pensei, será? E me lembrei de Jorge Amado:

"Onde estará mesmo a verdade quando ela se refere a esta cidade da Bahia? Nunca se sabe bem o que é verdade e o que é lenda nesta cidade. No seu mistério lírico e na sua trágica pobreza, a verdade e lenda se confundem." "Bahia de todos os santos", herança da discreta biblioteca do meu irmão Orismar que espumou a minha pacata vida interiorana. Agora, lendo este livro me recordo da magia em torno de Orismar e da sua breve existência, imortalizada pelas míticas narrativas do meu pai. Uma fala sertaneja que tira da aridez da paisagem riquezas de imagens, foi assim que a boca paraibana do meu pai irrigou meu sertão, conjurando em suas histórias cotidianas mais ordinárias, insígnias e fabulosas sagas.

Com Catarina parto para o mar das palavras ao timbre da voz sertaneja. Da capital da Bahia para seu interior, ao encontro de romanceiros, poetas populares, contadores de "causos", lendas... pessoas comuns que fazem do ato de falar um ato criativo. Pretendo tocar diretamente no repertório oral do povo sertanejo que habita o território da Bacia do Jacuípe, Sertão da Bahia, engloba as cidades de Pé de Serra, Nova Fátima, Riachão do Jacuípe, cidades próximas à Feira de Santana, Portal do Sertão, lugar onde nasci. Estas cidades guardam a tradição oral, o gosto por contar histórias que fez de Zé Moeda, Seu Zinho marido de Dona Loura, Zé Malverique figuras cativas da cidade de Riachão, personagens que me foram apresentados por Cleusa de Diude, também de Riachão, mulher de muitas memórias que me acompanhará na busca pela força performática da literatura da voz e pela a beleza das imagens que evoca. Sabendo, eu, que na boca coexiste o possível e o impossível parto para a busca de registros sonoros, nem a verdade nem a mentira mas uma fala fabulosa, um exercício poético - na qual a interpretação teatral do contador, suas pausas, suspiros e entonações servirão como composto visual para instalação sonora "Fala dos confins".

Lucélia | maio 10, 2010 às 15h13
Adoraria viajar em "Catarina" sem noção de tempo e deveres a cumprir e na companhia tão agradavel de virginia e Jon
Edmond benjamin | abril 26, 2010 às 19h37
Amo Catarina!
Cristiano Da Hora | março 11, 2010 às 10h58
Viajando pelo sertão Com sol, chuva e neblina; No asfalto ou estrada de chão Eis que surge Catarina. Chamando sempre a atenção Feliz da vida buzina!! De alma e coração Eis que surge Catarina Da terra rachada reclama Mas ela nao desanima; Passando por dentro da lama Eis que surge Catarina. Ser forte é nunca cair?? Não charmosa menina!! Ser forte é jamais desistir. Ser forte é ser Catarina!!!!!!! Cristiano Da Hora
Virginia de Medeiros 12.mar 12:05 - Cristiano... Eu Catarina, desmanchando-me a cada tombo. Mas não vou desistir! A vontade interior é tão grande, mas as dificuldades vão surgindo. Queria muito ir mais fundo nos encontros. O processo de criação precisa de tempo para ganhar forma - me sinto como um couro cru que precisa curtir para ganhar resistência. Um abraço forte. Ainda vislumbro o encontro com você e sua vó.
Fernanda Costa | março 09, 2010 às 22h00
Nossa que alegria quando vi CATARINA. E que satisfação inenarável passear com CATARINA! ( ASSIM DIRIA O MEU AMIGO IZAIAS). Parabéns Virginia! Parabéns Jon! pela coragem e dedicação ao PROJETO.
Virginia de Medeiros 10.mar 08:21 - Fernanda, voltamos recarregados de Nova Fátima. Foi maravilhoso! Catarina não pode dizer o mesmo, ontem passou o dia na oficina. Foram as costelas de vaca!! Não sabia que o vento esculpia costelas no chão, menina. E Catarina velhinha, como disse Jon - sem cálcio, não aguentou. Mas Seu Herval, colaborador do projeto, é um mecânico apaixonado por carros antigos. Entendeu rapidinho o que ocorreu e ainda deu unas soldinhas em Catarina. Já podemos seguir viagem.
BIA SANTOS | março 07, 2010 às 11h41
GINA, CATARINA, MENINA... O CHÃO O VÃO E VÃO, SIM VÃO PARA O SERTÃO... QUE ALEGRIA GINA, SABER QUE VOCÊ ENCONTROU CATARINA! UM BEIJO BIA
Virginia de Medeiros 10.mar 08:24 - Um beijo grande, Bia! Estamos trilhando... Catarina as vez empaca.
Juliana Caminha | março 06, 2010 às 13h35
Na asa da imaginação, vão, Virgínia e Catarina... Vão encontrar contos fabulusos para nos contar. Vão!
Virginia de Medeiros 10.mar 08:25 - Vamos fazer uma lotação de "causos", Ju.
Isis Medeiros | março 06, 2010 às 00h43
E o pássaro pia e ela vai sem medo num sem fim de poesia. Vai minha irmã ganha esse sertão cheio de fendas no chão faz dele brotar a água da imaginação, da invenção, da narração.
Virginia de Medeiros 10.mar 08:27 - Í, minha vida... que lindo!
Jon Medeiros | março 05, 2010 às 22h35
Gina me perguntou, vamos? Sem pensar respondi, vamos! Fui pensando e pensando, vamos. Vai ser numa Kombi antiga, vamos? Sem pensar respondi, como? Fui pensando e pensando... Conheci catarina, graciosa e pifando. Fomos! E aqui Catarina, como mágica voando. Estamos!
Virginia de Medeiros 10.mar 08:29 - Jonbes, fomos!
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